19/08/2008 15:33
Inteligência artificial

Embora eu seja da tchurma dos empolgados com arte orgânica, visceral, manufaturada com sangue e suor, não posso fazer bico para o admirável mundo novo que se projeta cada vez mais definido à nossa frente. Tudo a ver com as cyber-profecias de Isaac Asimov.
Na revista Bravo! deste mês, tem um artigo supimpa sobre a polêmica do valor artístico gerado pelas máquinas. Afinal, sua excelência o computador, esse sujeitinho maledito cuja a ausência seria inimaginável em nossos dias, pode ser considerado também um artista? Humpf! Se o Duchamp ainda estivesse entre nós, a gente pegava ele na curva com tal incógnita.
Hipóteses à parte, a pergunta que não quer calar é: por trás de toda grande máquina, não há sempre um grande homem?
Veja o projeto criado por Sheldon Brown, em parceria com o Experimental Game Lab, exibido no FILE 2008 Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que rola no Centro Cultural Fiesp, até 31 de agosto.

Parece prolixo, mas não é lá muito hercúleo entender a instalação Scalable City, que cria um ambiente urbano/suburbano/rural através de um circuito de visualização de dados. Cada etapa é construída em cima da anterior, desse modo amplificando os exageros, artefatos e padronagens do processo algorítmo. Os resultados desses experimentos virtuais com o ambiente de uma cidade são estampas, instalações de vídeos e jogos interativos para diversos usuários, além de espaços virtuais quase tangíveis - tão próximos da realidade que quase dá para tocá-los!

Através dessas obras de arte, uma variedade de poluições computadorizadas ganham cor, forma e volume. A idéia é criar a visão de formas que fazem parte da cultura moderna e que são criadas repetidamente à exaustão. O projeto não apoia nem critica esse fato, mas oferece uma extrapolação de tendências algorítmas, aumentando a percepção do ser humano em relação às estéticas geradas por lógicas matemáticas, que hoje são cruciais para a existência de toda e qualquer manifestação do design. Sacou? Não, né? Então passe por lá, pois tenho certeza que você vai entender tudinho.

enviada por Allex Colontonio
18/08/2008 10:50
Cowboy fora da lei
Já contei aqui que o Fernando Akasaka (www.fakasaka.com) é um dos designers mais expressivos do momento, né? Pois vou ainda mais longe e digo, com todas as letras, que teria uma casa inteira armada só com as peças dele. Aliás, deixaria também o projeto de arquitetura sob os seus cuidados, já que ele manja tanto de volumes e proporções e olha que nem arquiteto ele é...
Além de personalidade, seus móveis têm uma über-versatilidade, seja lá qual for a inspiração, dos ideogramas orientais às referências pop. Você pode até torcer o nariz para uma ou outra produção, mas admita: não dá para ficar indiferente às criações do cara.
Repare no shape desta banqueta Cowboy Junkie, com estrutura de aço inox (uma das marcas registradas de Akasaka) e assento em couro, tipo sela de cavalo. É divertida ou não é?
O nome do mimo tem pedigree. Fã dos Cowboy Junkies, banda canadense de rock alternativo, Fernando foi direto na fonte. O Blair Woods, manager do grupo, e o Mike Timmins, lead guitar, gostaram da peça e permitiram que eu a batizasse com o seu nome, conta.
Para compartilhar essa onda, aperta o play aí em Sweet Jane, um clássico do grupo em homenagem ao carinha que dobra aço, madeira e outros que tais (aguardem as news by Akazaka, que vai atacar em fibra de vidro e fibra de carbono, muito em breve).
enviada por Allex Colontonio
15/08/2008 18:16
Teto de vidro III
Encerrando a trilogia do vidro na minha semaninha über-transparente, é claro que só poderia falar sobre Elizabeth e Eduardo Prado. Ou, melhor ainda, vou colar abaixo o prefácio de um livro da dupla que pincei lá na minha estante, apresentação essa escrita pela sabe-tudo (e sabe mesmo!) Adélia Borges:
Elizabeth e Eduardo Prado fazem objetos-síntese, aqueles que somam dentro de nós a fome a a beleza, ou o desejo da utilidade. Simples objetos de adorno ou destinados a exercer alguma função, acima de tudo nos encantam e nos lembram delicadamente da vida, aqui e agora. Trabalham naquele limite tênue entre arte e design. Conforme a peça, estão mais para um ou para o outro lado da fronteira.
A maestria de seu trabalho vem de uma profunda intimidade com a matéria-prima. Primeiro trouxeram para o Brasil mais especificamente para o Museu de Arte de São Paulo, o Masp exposições memoráveis sobre a arte vidreira inglesa, japonesa e sueca. Depois, introduziram entre nós o conceito do estúdio glass, surgido na europa nos anos 60, em que o profissional não só desenha suas peças como as executa em oficina própria.
Uma das características que mais me encantam em suas peças de vidro fundido é o fato de tratarem a superfície como se fosse um tela de pintura, em que usam sem medo as cores fortes. Nas de vidro soprado, sobressai a fluidez do gesto seguro e ao mesmo tempo liberto. Qualquer que seja a técnica do vidro fundido, soprado ou plano , as peças de Elizabeth e Eduardo Prado alcançam a eternidade não só pelas características intrínsecas do material, mas sobretudo pela qualidade e expressividade de sua criação
Ou seja: Beth e Edu são feras. Para fechar, uma novidade exclusiva deles, que estão no maior corre-corre lá na Abup: peça da nova coleção, em cartaz na feira e, em breve, nas boas lojas que representam o duo (Zona D, Benedixt, LS Selection e por aí vai).

enviada por Allex Colontonio
14/08/2008 17:13
Teto de vidro II

Outro ás do vidro que tá com tudo e não tá prosa é o itliano Ennio Arosio, da Santambrogimiliano (www.santambrogimiliano.com). Sua coleção Simplicity é totalmente baseada no uso do vidro em projeções ortogonais, onde a percepção humana é desafiada com móveis totalmente vítreos, com pequenos detalhes metálicos, praticamente invisíveis no conjunto da obra.

Nesta coleção, camas, armários, estantes com portas movediças, poltronas, torneiras, cozinhas planejadas e até cooktops, aparecem ou desparecem de forma quase líquida, com o mesmo tipo de vidro usado pelo chinês Ming Pei na pirâmide do Louvre, em Paris. Se quisermos subir de nível na escala social, não podemos mais seguir modelos de espaços fechados, escuros, completamente isolados uns dos outros, contou Arosio à Casa Vogue. O resto, você confere na revista.

enviada por Allex Colontonio
13/08/2008 19:35
Teto de vidro I

O que pode ser mais fresh no décor do que um vaso de vidro? Dois vasos de vidro!

Acabo de me deparar com a nova coleção da Jacqueline Terpins (www.terpins.comr), uma das minhas designers prediletas e praticamente pioneira nessa arte de vidro soprado com formas mais etéreas e modernosas (calma, sei que muitos vieram antes dela, mas foi a Jacque quem cavou esta senda vítrea no mercado do design de luxe no Brasil, né?).

Uma vez ela me disse que dificilmente pensa no contorno antes de moldar o objeto: "Tudo começa com um conceito. Mas respeito o vidro, acatando as formas que ele sugere no momento em que está livre pelo calor". Pura modéstia, já que sou testemunha ocular do quanto ela doma a matéria, seja numa grande mesa ou num pequeno peso de papel.

O vidro, por definição, é um líquido congelado, mais viscoso e menos fluido que a água. Fundido entre 1400ºC e 1600ºC, colhido na ponta de uma cana de aço, o material é soprado em estado de mel, entre 700ºC e 1200ºC. Manipulando essa massa incandescente, entro em contato direto com sua natureza e força. Um objeto que tem o movimento e a leveza do líquido funciona como uma memória da alta temperatura, uma representação do calor. 
Sugestivamente batizados de Telecoteco, Rodopio, Folha e Quartzo, os novos vasos by Terpins estão sendo lançados hoje na Abup (ver roteirão no último post). Passe por lá e confira in loco!

enviada por Allex Colontonio
11/08/2008 15:09
Pé na tábua
Segunda-feira-brava, dia de abrir a agenda e programar o roteirão do que a gente tem que espiar por aí na nossa tribo eu vou dar um pulinho em todos e, se me deparar com algo interessante (espero que sim), prometo reportar acá. Enquanto isso, tome nota e se joga:
Arte Contemporânea em debate
O Centro Universitário Belas Artes promove série de encontros especiais entre os dias 11 e 15/08. O ciclo de palestras e debates gratuitos sob o tema Limite e transgressão: painéis sobre arte contemporânea, conta com artistas plásticos, galeristas, colecionadores, jornalistas e críticos. À frente do evento está o curso de Artes Visuais da instituição (mais antigo da Belas Artes, desde 1925), que tem seu foco voltado para a arte contemporânea em suas múltiplas manifestações, incluindo suportes mais recentes, como performances e manifestações audiovisuais. Quinta-feira, quando o papo será Mercado e Arte Urbana, José Marton (designer, artista plástico e colecionador de arte contemporânea), estará por lá. Belas Artes de São Paulo, Auditório Raphael Galvez Dazzani, Rua Dr. Álvaro Alvim, 90, Vila Mariana, SP
XIX Mostra Marco 500
O convite, impresso numa lasca de borracha produzida por seringueiros da amazônia, é o máximo. De 11 a 17/08, pranchetas como Carlos Alcantarino, André Cruz, Taciana Amorim e outros tantos se encontram para apresentar suas crias na Brigadeiro Galvão, 996.
+ infos: 11 3662.5530
Paralela Gift
A 14ª edição da feira de negócios (exclusiva para lojistas, fabricantes, designers, jornalistas e profissionais da área), reúne a galerinha do design trend, do artesanato, da joalheria e design têxtil, de Pedro Petry (de quem sou fã de carteirinha) a Flávia Pagotti. De 13 a 17/08, no São Paulo Arena Convention Center.
+ infos: www.paralelagift.com.br
Craft Design
Em sua 13ª edição, a feira traz utilitários, iluminação, decoração, móveis, objetos, brindes corporativos e artesanato contemporâneo. Estevão Toledo e Aluízio Figueiredo estarão por lá. Destaque para a entrega do 1º Prêmio Kraft Design. De 13 a 17/08, no Centro de Eventos São Luis.
+ infos: www.craft design.com.br
Abup Show
Pelo 17º ano conesecutivo, a Abup também rola de 13 a 17, lá no Frei Caneca. Grandes marcas como Vista Alegre, Tramontina, Elizabeth e Eduardo Prada, participam.
+ infos: www.abup.com.br
House & Gift Fair
A 37ª HOUSE & GIFT FAIR, a maior feira de artigos para casa da América Latina, reúne mais de 900 expositores que apresentarão as principais novidades em eletrodomésticos, acessórios de decoração, iluminação, utensílios para a cozinha, móveis, linha têxtil, mesa posta e por aí vai. De 16 a 19 de agosto, no Expo Center Norte.
enviada por Allex Colontonio
07/08/2008 23:01
Crustáceo

E já que o papo é cadeira bacanuda, post vapt-vupt, só para não deixar o blog no vácuo durante mais um fechamento: poltrona Siri, desenho mais recente de Claudia Moreira Salles, produzido pela Etel em madeira de manejo sustentável. Lindo, né? Amanhã tem mais...
enviada por Allex Colontonio
06/08/2008 19:04
Mora na filosofia

Dos gregos, amo a sabedoria, a mitologia, os arquipélagos e as mussakás. Dos baianos, gosto das enseadas, de Gil, Gal, Bethânia e Caetano, da paciência, da cadência e das moquecas. Em comum nas duas culturas, esse certo desapego à complexidade.
Sêneca, o pensador grego, dizia que "é melhor ser desprezado por viver com simplicidade do que ser torturado por viver em permanente simulação."
Zanine Caldas, o brasileiro do Sul da Bahia, mesmo quase apedrejado por atuar sem o respaldo de um diploma, converteu seu nome em sinônimo de design nacional. Foi ainda mais longe e alcançou status de uma das maiores escolas da simplicidade do país. Com seu estilo eco-visionário, inspirado nas técnicas caboclas, no art brut, ele incomodou muita gente antes de ganhar aquela famosa mostra no Louvre, de onde viria a consagração internacional nos anos 80 detalhe: ele nunca precisou puxar nem um perninha mais enfeitada nas suas cadeiras ou paredes.
Muitas águas ainda vão rolar, mas é bom ver que o filho, Zanine de Zanine, autor da cadeira Líquida que abre o post, segue o legado do mestre, com a vantagem extra-DNA de ter vivido perto o bastante para observar sem copiar, ser simples sem ser ordinário.
enviada por Allex Colontonio
05/08/2008 10:34
Vuitton in Japan
Dica quente do insuperável-idolatrado-salve-salve André Rodrigues, o homem por trás do portal SPFW: o escritório de arquitetura holandês UNstudio acaba de revelar o novo conceito para a flasgship da Louis Vuitton no Japão. O local exato da epopéia arquitetônica na terra do sol nascente ainda permanece guardado a sete chaves. Mas sabe-se que a idéia da LV é transmitir, através de um edifício de 10 andares - proporções inéditas na sua história -, que a marca está com os dois pés no futuro.
De acordo com o UNstudio, os elementos tradicionais que representam os valores clássicos da Vuitton estarão presentes na construção do edifício. A parte que mais se destaca no projeto é a estrutura gigante em forma de uma planta com quatro delicadas pétalas, exatamente como visto na logomarca oficial da grife, considerada o case de iconografia mais bem sucedido da história da moda. O resto, é esperar para ver.

enviada por Allex Colontonio
04/08/2008 18:56
Contadoras de causos

Linda, linda, linda e linda, Casa Vogue de agosto acaba de aterrissar nas bancas, com tudo aquilo que a gente gosta e mais um pouco não dá para resistir a esta capa, dá?

Do balacobaco, a seleção de casas é encabeçada pela morada-ateliê de Louise Bourgeois, a escultora franco-americana famosa pelas aranhas gigantes uma delas faz parte do acervo permamente do MAM-SP e provoca todo mundo que passa por lá (como já contei no último post, aquele sobre o Duchamp). Louise, inteiraça aos 96 anos, continua aprontando das suas - e Casa Vogue conta tudo pra você!

De Nova York para o Brasil, os outros refúgios escalados dão conta do estilo que mais faz a minha cabeça: o cada um na sua. Casas com as digitais dos donos do pedaço, carregadas de personalidade e conteúdo, fazem jus ao título da edição: Contadoras de histórias, ensinando, inspirando, dando os ombros para efemeridades...

Tem também um caldeirão fervilhante com tudo para bombar a sua cozinha; uma compilação com as boas novidades do design internacional; o melhor das artes e antiguidades do Carré Rive Gauche e um montão de outros motivos para devorar a revista de uma vez ou deixá-la por perto para quando bater aquela vontadezinha de folhear um bombocado recheado de coisas boas.

E o post de hoje vai em homenagem à minha avó, que tá soprando 80 velinhas! Salve Dona Adelaide! =)




enviada por Allex Colontonio
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